segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Multiplicadores de Conhecimento


Toda empresa tem colaboradores que ocupam espaços mais centrais, que influenciam os demais. Esse é o caso dos multiplicadores de conhecimento, que compartilham conhecimentos relevantes com o restante dos colaboradores. Entre outras coisas, eles ajudam a informar e preparar a equipe para a implementação de mudanças, colaboram para a adaptação de profissionais que acabaram de entrar para equipe, repassam os pontos essenciais de treinamentos e cursos.

O papel de multiplicadores de conhecimento é muito importante e, por isso, não basta deixá-lo ao acaso. Você precisa saber identificar quem são esses multiplicadores dentro da sua empresa e aproveitar os benefícios que eles trazem para a organização. 

QUEM SÃO OS MULTIPLICADORES DE CONHECIMENTO?

Você já sabe o que eles fazem: repassar conhecimentos para outros colaboradores. Mas quem são os multiplicadores, e o que eles têm de diferente em relação a quem não ocupa esse papel?

Em geral, multiplicadores de conhecimento são profissionais que já tem algum tempo de experiência naquela atividade, seja dentro ou fora da sua empresa. Eles também tendem a ser altamente engajados e curiosos, dispostos a aprender sobre todos os aspectos do negócio, e não somente sobre os aspectos em que ele atua diretamente. É devido a esses fatores que ele acumula mais conhecimentos do que outros colaboradores e, portanto, torna-se referência entre os demais. 

Porém, não basta ter o conhecimento. É preciso ter um perfil colaborativo, de maneira que o profissional não seja um concentrador de conhecimentos, em vez de um multiplicador. Além disso, é necessário ter boas habilidades de comunicação, para ser capaz de explicar diferentes tópicos de uma maneira simples, objetiva, que seus colegas possam entender.

Isso tudo é do ponto de vista do perfil de profissional. Do ponto de vista da empresa, o mais importante certamente é que o colaborador seja comprometido com a organização. Afinal, quando um multiplicador deixa sua empresa, isso não apenas modifica a estrutura do fluxo de conhecimento na equipe, mas também significa que ele vai levar consigo (talvez para um concorrente) informações relevantes. 

POR QUE MULTIPLICADORES DE CONHECIMENTO SÃO NECESSÁRIOS?

O que não falta atualmente é informação livre, à disposição de todos. Aliás, a situação chegou a um ponto em que tornou-se um problema. Segundo o escritor e doutor em psicanálise Augusto Cury, por exemplo, sofremos da Síndrome do Pensamento Acelerado SPA: a quantidade de informações (e compromissos, e estímulos) é tão grande que temos dificuldade em afastá-las da mente, mesmo que por poucos minutos.

Porém, o fato é que a quantidade grande de informações que nos cerca não é uma vantagem se o fluxo não for adequado. É por isso que ter multiplicadores de conhecimento na empresa é uma medida estratégica, permitindo assegurar que informações relevantes cheguem às pessoas certas no momento em que elas precisam. 

Também vale a pena mencionar que a presença de multiplicadores ajuda a equilibrar a carga de trabalho dos gestores que, na prática, também são responsáveis por transmitir certos tipos de informações à equipe. Quando o gestor é a única referência para obter informações, ele acaba sendo procurado com frequência, o que pode afetar seu ritmo de trabalho. Ao dividir parte dessa responsabilidade, o gestor pode direcionar melhor seu tempo para atividades que somente ele pode desenvolver.

Por outro lado, os multiplicadores também tendem a apresentar uma disponibilidade maior para atender a equipe do que os gestores. Então, isso evita que os colaboradores fiquem esperando muito tempo por uma informação que poderia ser rapidamente obtida.

Além disso, existe ainda outro bom motivo para apostar nos multiplicadores de conhecimento: otimizar a disseminação de conhecimentos a partir de um investimento menor em cursos e treinamentos. Você oferece a atividade apenas para os multiplicadores que, então, encarregam-se de repassar o conhecimento aos demais. O que faz a diferença, portanto, é como esse “repasse” será feito.

COMO OS MULTIPLICADORES DE CONHECIMENTO PODEM AGIR?

Não adianta formar uma equipe de multiplicadores de conhecimento se não houver os meios para que eles possam desempenhar seu papel dentro da organização. Confira alguns exemplos. 

1. COMUNICAÇÃO DIRETA
A maneira mais simples pela qual os multiplicadores de conhecimento cumprem seu papel é respondendo a perguntas diretas trazidas pelos seus colegas. Para que isso seja possível, duas coisas são necessárias. A primeira é que esteja bem claro para todos na empresa quem são os multiplicadores, ou seja, quem são suas referências quando precisarem de ajuda. A segunda é que exista um ambiente organizacional propício para a comunicação entre os colaboradores, mesmo aqueles que não pertencem ao mesmo setor. 

2. RODAS DE CONVERSA
Essa é uma maneira informal para que os multiplicadores de conhecimento possam transmitir informações relevantes para o restante da equipe. Nessas rodas de conversa, os multiplicadores podem responder a dúvidas dos colegas ou apresentar informações novas, que ainda não são do conhecimento de todos. 

3. ALTERNATIVAS CRIATIVAS
Existem diversas alternativas criativas para o trabalho de multiplicar conhecimentos dentro das empresas. Algumas investem em programas nos quais os multiplicadores organizam e ministram seus próprios cursos para os outros colaboradores. Outras, adotam o formato de minipalestras gravadas, que podem ser disponibilizadas para que qualquer um da organização assista quando e onde quiser. Outras, ainda, apostam na elaboração de jogos e gamificação para estimular o aprendizado. 

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE MULTIPLICADORES DE CONHECIMENTO, PROGRAMAS DE IDEIAS E LIDERANÇA?

Em geral, multiplicadores de conhecimento tornam-se figuras de liderança para os outros colaboradores, mesmo que não ocupem cargos de liderança. Isso acontece naturalmente pois, ao procurar com frequência os multiplicadores para obter informações importantes, os demais começam a vê-los como uma referência dentro da organização. Por isso, se você quer este comportamento intraempreendedor na sua organização, é essencial também deixar espaço para o desenvolvimento de lideranças naturais – em oposição a centralizar a liderança apenas nos gestores.

Outro ponto importante é que os multiplicadores de conhecimento, enquanto figuras de liderança, podem dar um grande apoio para o sucesso de programas de ideias da empresa. Eles disseminam informações sobre os programas e ainda incentivam a participação de todos. Assim, até mesmo o processo de inovação pode ser beneficiado pelos multiplicadores.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Indicação de Filme: Um Homem de Família


Um drama familiar que coloca o emprego acima de qualquer coisa

Um pai de família tão viciado em trabalho que acaba se afastando da esposa e dos filhos. Também temos a mãe que teve que desistir da carreira para se dedicar às crianças, e um acontecimento drástico com o filho mais velho capaz de transformar profundamente qualquer pessoa, menos o seu próprio pai, um personagem frio e insensível do começo ao fim. E a trama gira basicamente em torno desse homem workaholic.

Na vida profissional, Dane Jensen (Gerard Butler) é um headhunter que lidera uma equipe de manipuladores de currículos, vagas e expectativas, para bater metas em uma empresa de RH. Quando seu chefe Ed Blackridge (Willem Dafoe) anuncia aposentadoria, Dane e sua rival na empresa Lynn Wilson (Alison Brie) começam uma disputa para substituir o chefe no comando da empresa, para isso, os dois vão ter que dar o melhor de si a fim de conseguirem destaque nos resultados dos últimos três meses do ano. E isso acaba interferindo completamente na vida pessoal de Dane, afastando-o ainda mais de sua família.

Então como lidar com um trabalho que pode acabar prejudicando a vida de muitas pessoas? Essa é a idéia que fica quando os filhos de Dane Jensen perguntam para ele onde e com o que o pai trabalha em uma das cenas do filme.

Assim, Jensen e a super competitiva Lynn vão disputar os últimos meses do ano em questão para ver quem contrata mais gente. Mas não pelo simples fato de ajudar as pessoas a se recolocaram no mercado de trabalho que pela causa da crise andou parado mas sim para faturar mais as comissões que outro.

O conflito aumenta quando ele descobre que um de seus filhos tem uma doença grave. E o roteiro pode até fazer você acreditar que essa situação irá comover Dane e, consequentemente, diminuir a distância entre o pai e o filho e melhorar a relação de Dane com sua família. Mas isso só seria possível se Dane não fosse um cara tão detestável, que acha que o dinheiro é a solução para todos os problemas e que, ao invés de priorizar a relação e a proximidade com o filho, acha que vai ajudar mais sua família se estiver trabalhando e ganhando a competição na empresa.

O filme parece tentar fazer a gente se colocar no lugar do protagonista, que se autointitula “herói americano”, e compreender suas razões. Dane é um personagem que demora muito tempo para evoluir, para aprender com os erros e para se sensibilizar, e alguém que está o tempo todo mais preocupado com a carreira do que com os afetos familiares. Dane é um personagem que demora muito tempo para evoluir, para aprender com os erros e para se sensibilizar, e alguém que está o tempo todo mais preocupado com a carreira do que com os afetos familiares.

Apesar de não comover muito o pai, o tratamento da doença do garoto comove, e muito, os espectadores, é algo bem pesado na trama e a parte que vai mexer com o seu emocional.

O filme apresenta um drama que traz problemas bem atuais, como o desemprego e a crise econômica – citada como justificativa para tanto trabalho – e aborda situações muito comuns, como a falta que faz a presença paterna na criação e na vida dos filhos, sob o olhar do próprio filho e desabafos da mãe e esposa Elise. Por outro lado, o filme faz parecer que algumas pequenas atitudes boas podem compensar uma grande quantidade de escolhas erradas, mesmo quando essas escolhas afetam demasiadamente a vida daqueles que amamos.

Um Homem de Família mostra que às vezes precisamos sair da zona de conforto e tentar mostrar humanizar um cara competitivo e viciado em ganhar.

domingo, 11 de agosto de 2019

10 palavras em inglês para entender o RH


O inglês no RH vai muito além de feedback e turnover

O inglês já faz parte da rotina de profissionais de várias áreas, como TI e Marketing, e há algum tempo ele vem invadindo o RH.

Em Junho passado, participei do Fórum Capital Humano 2019 evento organizado pela Minder Group - foram horas de palestras e painéis, muito aprendizado sobre temas relacionados a recursos humanos e… muito inglês!

Listei aqui todos os termos que ouvi durante o evento, para que você faça uma boa revisão ou aprenda alguns termos que vêm sendo usados por heads de RH. As palavras vão muito além de turnover e feedback, prepare-se!

EVP

Employer value proposition - Lembra da proposta de valor, ou o que a empresa promete que vai entregar ao cliente? Mesmo conceito, só que aplicado ao funcionário: a empresa deve cumprir a promessa de valor que fez ao colaborador.

Employer Branding

Marca empregadora - uma espécie de casamento do marketing com o RH. Employer quer dizer aquele que emprega (ou seja, o empregador). É quando o RH quer que a empresa seja percebida como uma excelente empresa para se trabalhar, e cria estratégias para atrair e cuidar de seus talentos. O employer branding pode ajudar a resolver um alto turnover, por exemplo.

Employee Experience

Para se construir o employer branding, o RH tem de estar focado em toda a employee experience - ou jornada do colaborador (employee = colaborador, funcionário). Lembra do UX (user experience) em sistemas? Agora o RH avalia a experiência do funcionário - do recrutamento à saída.

Fit

Segundo o Cambridge Dictionary, o substantivo fit quer dizer: "the right size or shape for someone or something". Assim, faz sentido a frase: Muitos funcionários vão embora voluntariamente ou involuntariamente em seis meses, porque não tiveram fit cultural. Sem fit cultural, o funcionário não performa bem.

Shift

Também segundo o Cambridge Dictionary, o substantivo shift quer dizer: "a change in position or direction". Agora fica fácil entender quando a palestrante diz: "Fiz três shifts de carreira em seis anos."

Data Driven

Assim como em qualquer área, o profissional de RH tem acesso a dados coletados em diversos sistemas. Alguns sistemas também fazem uma análise de risco de cada decisão, tudo para ajudar no processo. Uma decisão, um sistema ou uma pessoa que toma decisões com base em dados, é data driven* (atenção para a pronúncia: driven - leia o "i" mesmo, como em shift, fit, e não "ai" como em drive, life).

Gamification

Técnica de se usar elementos de jogos em ambientes diversos, como em um curso/treinamento no qual o aluno/treinando conquista prêmios virtuais a cada fase que termina.

PoC

Proof of Concept, ou prova de conceito. Como o espírito das startups está sendo introduzido em qualquer organização, fazer um PoC vai ser algo cada vez mais banal. Um teste de um modelo, uma implementação incompleta só para obter os primeiros feedbacks, um sistema que já prova que o novo conceito funciona - é o PoC. Estude também termos como prototipar e MVP (minimum viable product).

Clusters

O substantivo cluster significa “aglomeração”. Começou a ser usado em TI, depois foi pro Marketing e vem sendo usado pela área de RH. Ouvi algo como: Em um LMS (learning management systems ou AVA - ambiente virtual de aprendizagem), você pode estruturar trilhas que são percorridas de forma paralela entre os diversos clusters (clusters de supervisores, clusters de gerentes, clusters de diretores).

People Analytics

Reunindo estatística, tecnologia e expertise em pessoas, o people analytics utiliza grande volume de dados, com o objetivo de aprimorar a gestão e a tomada de decisões em uma organização.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

IKIGAI : O conceito japonês para uma vida longa, feliz e significativa


Qual a razão para se levantar da cama de manhã? Só tentar responder a uma pergunta tão importante pode fazer você querer voltar para a cama. 

Se o fizer, o conceito japonês de Ikigai pode ajudar.

Originário de um país com uma das populações mais antigas do mundo, a ideia está se tornando popular fora do Japão como uma forma de viver mais e melhor.

Embora não haja uma tradução direta, ikigai combina as palavras japonesas ikiru, que significa “viver”, e kai, que significa “a realização do que se espera”. Juntas, essas definições criam o conceito de “uma razão para viver” ou a ideia de ter um propósito na vida.

Para encontrar este propósito, os especialistas recomendam começar com quatro perguntas:

O que você ama?

No que você é bom?

Em que o mundo precisa de você?

Pelo que você pode se pago?

Encontrar respostas e um equilíbrio entre essas quatro áreas pode ser uma rota para o ikigai para os ocidentais que procuram uma rápida interpretação desta filosofia. 

O conceito vem de Okinawa, um grupo de ilhas ao sul do Japão com uma população de moradores centenários bem acima da expectativa de vida média, mesmo para os padrões japoneses. Muitos acreditam que o ikigai é o segredo de sua longevidade. O termo é bem conhecido em todo o país, e a ideia representada por ele está se espalhando para outras partes do mundo.

Como achar seu 'ikigai?

Para trazer o ikigai para sua vida você não precisa se mudar, mas apenas entender a essência do conceito e torná-lo parte do seu cotidiano. Você pode começar por algo simples como beber uma xícara de café pela manhã. O legal do ikigai é que você pode partir de coisas pequenas até chegar aos grandes objetivos de vida.

Ser fácil de começar é um dos fatores que levam cada vez mais pessoas de fora do Japão a se interessarem pelo conceito, e alguns livros já foram publicados sobre o assunto. Mas encontrar um ikigai não é sempre um processo simples. Há pessoas que sabem o que querem ser desde a infância, mas a maioria de nós não sabia o que queria.

E ainda há o peso do cotidiano: vamos à escola, buscamos emprego, lidamos com obrigações e pagamos contas... e, com isso, podemos nos distanciar de nossos impulsos naturais.

Para ajudar a encontrar o seu ikigai, você pode resgatar seus sonhos de infância: 
Quais eram? Desenhar por horas? Dançar? Correr? 

Pense em quando era pequeno e no que te deixava feliz e você não faz mais.

Se você achar seu ikigai, as pequenas coisas que dão significado à vida podem te ajudar a preservar sua saúde por mais tempo


O Ikigai não se trata de obter uma gratificação instantânea. É algo que impulsiona a pessoa rumo ao futuro e a faz seguir em frente.

Então, se você quiser ter uma vida longa e saudável, vale a pena tentar descobrir seu Ikigai.

E se bater a meta for o problema?

📌 1981. Japão. Toyota. A organização enfrentava um dilema recorrente em qualquer empresa orientada a resultados: - Algumas equipes superava...