segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Indicação de Filme: Um Homem de Família


Um drama familiar que coloca o emprego acima de qualquer coisa

Um pai de família tão viciado em trabalho que acaba se afastando da esposa e dos filhos. Também temos a mãe que teve que desistir da carreira para se dedicar às crianças, e um acontecimento drástico com o filho mais velho capaz de transformar profundamente qualquer pessoa, menos o seu próprio pai, um personagem frio e insensível do começo ao fim. E a trama gira basicamente em torno desse homem workaholic.

Na vida profissional, Dane Jensen (Gerard Butler) é um headhunter que lidera uma equipe de manipuladores de currículos, vagas e expectativas, para bater metas em uma empresa de RH. Quando seu chefe Ed Blackridge (Willem Dafoe) anuncia aposentadoria, Dane e sua rival na empresa Lynn Wilson (Alison Brie) começam uma disputa para substituir o chefe no comando da empresa, para isso, os dois vão ter que dar o melhor de si a fim de conseguirem destaque nos resultados dos últimos três meses do ano. E isso acaba interferindo completamente na vida pessoal de Dane, afastando-o ainda mais de sua família.

Então como lidar com um trabalho que pode acabar prejudicando a vida de muitas pessoas? Essa é a idéia que fica quando os filhos de Dane Jensen perguntam para ele onde e com o que o pai trabalha em uma das cenas do filme.

Assim, Jensen e a super competitiva Lynn vão disputar os últimos meses do ano em questão para ver quem contrata mais gente. Mas não pelo simples fato de ajudar as pessoas a se recolocaram no mercado de trabalho que pela causa da crise andou parado mas sim para faturar mais as comissões que outro.

O conflito aumenta quando ele descobre que um de seus filhos tem uma doença grave. E o roteiro pode até fazer você acreditar que essa situação irá comover Dane e, consequentemente, diminuir a distância entre o pai e o filho e melhorar a relação de Dane com sua família. Mas isso só seria possível se Dane não fosse um cara tão detestável, que acha que o dinheiro é a solução para todos os problemas e que, ao invés de priorizar a relação e a proximidade com o filho, acha que vai ajudar mais sua família se estiver trabalhando e ganhando a competição na empresa.

O filme parece tentar fazer a gente se colocar no lugar do protagonista, que se autointitula “herói americano”, e compreender suas razões. Dane é um personagem que demora muito tempo para evoluir, para aprender com os erros e para se sensibilizar, e alguém que está o tempo todo mais preocupado com a carreira do que com os afetos familiares. Dane é um personagem que demora muito tempo para evoluir, para aprender com os erros e para se sensibilizar, e alguém que está o tempo todo mais preocupado com a carreira do que com os afetos familiares.

Apesar de não comover muito o pai, o tratamento da doença do garoto comove, e muito, os espectadores, é algo bem pesado na trama e a parte que vai mexer com o seu emocional.

O filme apresenta um drama que traz problemas bem atuais, como o desemprego e a crise econômica – citada como justificativa para tanto trabalho – e aborda situações muito comuns, como a falta que faz a presença paterna na criação e na vida dos filhos, sob o olhar do próprio filho e desabafos da mãe e esposa Elise. Por outro lado, o filme faz parecer que algumas pequenas atitudes boas podem compensar uma grande quantidade de escolhas erradas, mesmo quando essas escolhas afetam demasiadamente a vida daqueles que amamos.

Um Homem de Família mostra que às vezes precisamos sair da zona de conforto e tentar mostrar humanizar um cara competitivo e viciado em ganhar.

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