quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Muito Trabalho, pouco stress



Os malefícios que um workaholic pode trazer para a sua vida e a da empresa, uma resenha sobre o livro Muito Trabalho, pouco stress do André Caldeira, Editora Évora


Joe Labor, é um workaholic maluco que vive sempre no limite da exaustão. Joe Labor, ou João Trabalho, vive de menos e trabalha demais. Ele tem uma rotina pomba-gira maluca, corre atrás de sua agenda, está sempre devendo no trabalho, não tem controle sobre sua rotina, é viciado em tecnologia por conta dos assuntos do escritório, sempre trabalha até mais tarde, leva trabalho para casa, trabalha nos fins de semana. Enfim, Joe vive para o trabalho, sem nunca sentir que está no controle de sua vida profissional. Ele não tem tempo para a família, mal vê a mulher e os filhos, e quando está com eles se pega pensando em assuntos do trabalho como se sua família estivesse em um cinema mudo. Quase não tem tempo para os amigos, não pratica esportes, bebe muito, come demais, tem insônia, e sempre quer matar todo mundo no trânsito. Joe quase não tem vida pessoal e sempre se sente devedor em casa por colocar o trabalho em primeiro lugar: em dedicação, tempo e importância. Joe é duplamente devedor. Deve no trabalho e deve em casa.


Joe também poderia ser chamado de Joana, afinal as mulheres profissionais são tão ou mais estressadas do que os homens. Além da credencial de executiva – que trabalha muito, que quer ocupar seu lugar no mercado de trabalho, que luta contra eventuais preconceitos para crescer na carreira –, a mulher tem a credencial de esposa, a de mãe e a de dona de casa. Antes de entrar ou ao sair do escritório, a mulher executiva normalmente tem de encontrar tempo para pensar na casa, na lista do supermercado, no acompanhamento da escola dos filhos, na atenção para a família e até nos cuidados com ela mesma: cabelo, unhas, roupas e afins, que são pauta exclusiva do universo feminino.


Independentemente do gênero, tempo é um bem precioso e escasso, e volume de trabalho é o que não falta. Quem já não passou por fases da vida profissional como a de Joe Labor? Qual empresa não tem um ou vários Joes em seu quadro de gestores, que estabelecem culturas tóxicas? O ponto central é quando isso se torna default na empresa como um modo de piloto automático de estresse profissional. Esse excesso tem consequências perigosas para a vida pessoal e para a produtividade dos profissionais e da companhia.


Para conciliar o excesso de trabalho com pouco estresse, é preciso que as empresas e os profissionais estejam alinhados quanto aos objetivos e estratégias para construir ambientes produtivos e saudáveis, que promovam a sustentabilidade humana. Isso passa por diagnósticos claros, por práticas de autoconhecimento, pelo reconhecimento dos limites pessoais, pela responsabilidade das escolhas, pela forma como se lida com as pressões do dia a dia e pela importante conclusão de que a resposta reside em cada um, pois o cenário à volta só tende a piorar. Isso mesmo, o entorno corporativo só tende a piorar: os segmentos de mercado serão cada vez mais competitivos, teremos mais e mais fusões e aquisições, um mercado de capitais mais exigente, que torna os índices de eficiência públicos e estabelece novos benchmarks para as empresas, o uso crescente e exacerbado de tecnologias móveis, funis e competição ferrenha pelos melhores empregos, avaliações e análises comparativas para progressão de carreira e assim por diante.


O grande problema é a forma irresponsável com que a maioria dos profissionais lida com o estresse, como se fosse um machucado crônico que incomoda, mas que não há o que fazer. É papel da empresa atuar na correção e na prevenção dessa situação. O profissional deve aprender a utilizar a mesma disciplina aplicada na carreira (e que muitas vezes é a causa de estresse) para a vida pessoal, criando momentos quase que obrigatórios de cuidado pessoal: tempo com a família, desligamento do trabalho, exercícios físicos, silêncio interior, mudança de canal cerebral etc. Isso deve ser tão importante quanto os resultados gerados por ele para a empresa. 


 Somos todos tão gestores de nós mesmos como de nossas carreiras. Por que devotamos todo nosso tempo e atenção para a carreira e deixamos nossas “vidas” tão abandonadas e em segundo plano? Qual a sustentabilidade desse tipo de atitude a médio/longo prazo? Que tipo de satisfação e contentamento de vida estamos construindo se só focarmos o dinheiro e a carreira? Usar todo o tempo para trabalhar e ganhar dinheiro é como viver para respirar: não vivemos sem ar, mas não podemos viver para respirar. Portanto, não se pode viver somente para trabalhar e ganhar dinheiro.


Para Joe Labor, ou qualquer outro profissional, é vital encontrar na empresa uma política que incentive a importância do equilíbrio no trabalho, o desenvolvimento da consciência dos limites, sua aplicação prática, bem como consistência ao longo do tempo. Só assim Joe (ou eu e você) vai ser mais produtivo e saudável, bem como poderá permanecer mais tempo na empresa onde trabalha. Sem abrir mão da produtividade e dos resultados que deve apresentar. Com mais equilíbrio entre a vida pessoal e a carreira. Sempre com muito trabalho, mas com pouco estresse.



Paulo Stramaro
Linkedin.com/in/PauloStramaro


Detalhes do Livro

TÍtulo: Muito Trabalho, pouco stress

Autor: André Caldeira

Capa comum : 240 páginas

ISBN-10 : 8563993496

ISBN-13 : 978-8563993496

Editora : Editora Évora; 1ª Edição (1 dezembro 2012)

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