terça-feira, 24 de setembro de 2019
Indicação de Filme: 7 AÑOS
Um bom exemplo de gestão de conflitos explorando os diversos dilemas dos relacionamentos e da própria existência humana tendo como ponto de partida uma situação limite, um filme em que os personagens são obrigados a retirar suas máscaras tradicionais.
O filme começa com quatro sócios de uma empresa da área de tecnologia que se descobrem investigados pela Receita Federal espanhola. Como de fato eles cometeram crimes contra o fisco, terão que tomar uma decisão crucial: qual deles deve assumir a culpa, livrando os outros três da prisão e assegurando a sobrevivência de sua companhia? O título do filme se refere ao tempo de cárcere que o responsável irá cumprir.
Para tomar o que julgam ser a decisão mais justa, convocam um mediador. Deste ponto começa a se desenrolar a trama, praticamente toda em um cenário só, a sede da empresa.
Com o avanço do debate e precisando se chegar a uma conclusão, já que a possível ação do fisco e da polícia se torna iminente, começam a ser revelados os segredos e as verdadeiras aspirações e concepções de cada um dos sócios. São expostos não somente os pontos de vista deles a respeito de seus companheiros como também a forma como enxergam a si mesmos e suas visões de mundo.
O modo como a ação se desenvolve e é conduzida gera sentimentos ambíguos em quem assiste. Muitas vezes o sentimento será de empatia; em outros, o de repulsa, forçando também à reflexão sobre os temas que estão sobrepostos no filme e que são bastante atuais como a questão da prevalência do trabalho na vida cotidiana, que o leva a interferir – de forma muitas vezes desastrosa – no âmbito privado.
O grande charme da trama é o roteiro, assinado por Julia Fontana e com apoio de Jose Cabeza, Cristian Conti e Roger Gual. De forma orgânica, cada um dos sócios é jogado contra o outro. Ao mediador cabe o equilíbrio, mas ele tem também o papel mais sádico de montar joguinhos que fazem os amigos se voltarem um contra o outro. Com o ritmo rápido e a metragem relativamente curta (77 minutos), o “morde-e-assopra” dá um ritmo galopante ao longa.
É interessante notar ainda que a empresa escolhida para ilustrar uma história ligada, na prática, à miséria humana, seja uma companhia do setor de tecnologia. Com o fenômeno das startups gerando enriquecimento rápido para alguns – criando situações de deslumbramento muito comuns, no Brasil, surgem novas formas de trabalho e de profissionais mais autossuficientes, por vezes, crentes de que podem “ganhar o jogo sozinhos”. Algo simbólico em tempos de individualismo mais exacerbado.
Ficha técnica:
Direção: Roger Gual
Roteiro: Jose Cabeza, Cristian Conti, Julia Fontana, Roger Gual
Elenco: Alex Brendemühl, Paco León, Juana Acosta, Manuel Morón, Juan Pablo Raba
Nacionalidade e lançamento: Espanha, 2016
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