segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

E se bater a meta for o problema?



📌 1981. Japão. Toyota.

A organização enfrentava um dilema recorrente em qualquer empresa orientada a resultados:


- Algumas equipes superavam metas.

- Outras apresentavam desempenho inferior.



O caminho tradicional seria claro:

 ➡️ premiar os melhores resultados

 ➡️ pressionar os demais



Taiichi Ohno, um dos principais arquitetos do Sistema Toyota de Produção, escolheu outro caminho. Em vez de analisar apenas indicadores, observou o comportamento no processo. O que encontrou foi revelador.


As equipes com melhor desempenho aparente:

 – ocultavam falhas

 – aceleravam etapas

 – transferiam problemas adiante


As equipes com menor velocidade:

 – interrompiam a produção

 – acionavam mecanismos de alerta (Andon) 

 – tornavam os erros visíveis


No curto prazo, pareciam menos eficientes.

 No longo prazo, eram estrategicamente superiores.


A decisão foi contraintuitiva — e corajosa. Foi estrutural.


Ohno passou a valorizar quem interrompia o processo para preservar o sistema e desincentivou práticas que maximizavam resultados sacrificando a sustentabilidade.
  • Houve resistência interna.
  • Pressão política.
  • Risco à própria liderança.

Mas os resultados vieram:

✔️ Redução consistente de retrabalho

 ✔️ Menos recalls

 ✔️ Qualidade superior

 ✔️ Custos menores no médio e longo prazo



A Toyota consolidou um princípio que ainda desafia muitas lideranças:

👉 Estratégia não é apenas alcançar resultados.

👉 É construir capacidades organizacionais duráveis.


Quando recompensamos apenas o número final,  ensinamos as pessoas a esconder o caminho. Quando valorizamos o processo,  o resultado se repete sem depender de heróis.



Como líder, aprendi que maturidade organizacional não está em “bater meta a qualquer custo”, mas em criar ambientes onde os problemas aparecem cedo — e são tratados com responsabilidade.



⚠️ O maior risco estratégico não é errar. É tomar decisões com base em indicadores que escondem a realidade operacional.


#GestãoEstratégica #PlanejamentoEstratégico #ExecuçãoEstratégica #AltaGestão #ExcelênciaOperacional #MelhoriaContínua #Qualidade #SistemaToyota #LiderançaEstratégica

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

LIDERANÇA ESTRATÉGICA: O Papel Do Líder Na Construção Do Futuro


Liderança Estratégica em tempos de mudança

Como líderes que conectam pessoas, cultura e negócio estão moldando o futuro das organizações

Por Paulo Stramaro


Em um ambiente corporativo marcado por transformações aceleradas, escassez de talentos e novas demandas sociais, a liderança deixou de ser apenas uma competência desejável e passou a ser um fator decisivo de competitividade. Para as organizações, especialmente aquelas inseridas em mercados dinâmicos, a Liderança Estratégica tornou-se um dos principais diferenciais sustentáveis.

Liderar estrategicamente significa ir além da gestão de pessoas e da execução de metas. Trata-se de conectar decisões do presente à visão de futuro do negócio, alinhando estratégia, cultura organizacional e desenvolvimento humano — temas centrais na agenda contemporânea de Recursos Humanos.


Muito além da operação

A Liderança Estratégica se diferencia pela capacidade de leitura de contexto. Líderes estratégicos compreendem o cenário econômico, social e tecnológico em que a organização está inserida e utilizam essas informações para orientar decisões de médio e longo prazo.

Mais do que garantir eficiência operacional, esses líderes questionam modelos estabelecidos, antecipam tendências e promovem ajustes contínuos na estratégia. Para o RH, isso significa apoiar lideranças que saibam equilibrar performance imediata com sustentabilidade do negócio.


Pessoas como vetor da estratégia

Nenhuma estratégia se sustenta sem pessoas engajadas, capacitadas e alinhadas ao propósito organizacional. Nesse sentido, a Liderança Estratégica reconhece o capital humano como ativo central da empresa.

Líderes estratégicos criam ambientes psicologicamente seguros, estimulam a autonomia e investem no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais. Habilidades como comunicação, empatia, adaptabilidade e pensamento crítico tornam-se essenciais para lidar com equipes diversas e desafios complexos.

Para o RH, o desafio está em estruturar programas que preparem líderes para atuar como desenvolvedores de pessoas, e não apenas como gestores de processos.


Decisão e aprendizado contínuo

Em um contexto de incerteza, a tomada de decisão ganha relevância estratégica. A Liderança Estratégica exige decisões baseadas em dados, escuta ativa e visão sistêmica, sem perder a capacidade de agir com agilidade.

Assumir riscos calculados, aprender com erros e ajustar rotas faz parte do papel do líder estratégico. Organizações maduras compreendem que o erro, quando bem gerenciado, é fonte de aprendizado e inovação — uma mudança cultural que passa diretamente pela atuação da liderança.


Cultura como vantagem competitiva

A cultura deixou de ser apenas um discurso institucional para se tornar um elemento estratégico. Líderes estratégicos são agentes ativos da cultura organizacional, traduzindo valores em comportamentos concretos no dia a dia.

Quando há coerência entre estratégia, discurso e prática, cria-se um ambiente favorável ao engajamento, à inovação e à retenção de talentos. Para a área de RH, fortalecer essa coerência é essencial para sustentar resultados no longo prazo.


O papel do RH

A formação de lideranças estratégicas não acontece de forma espontânea. O RH exerce papel fundamental nesse processo, atuando como parceiro do negócio na identificação, desenvolvimento e sucessão de talentos.

Programas de desenvolvimento, feedback estruturado e experiências práticas são ferramentas-chave para preparar líderes capazes de lidar com a complexidade atual. Cada vez mais, o RH é chamado a ocupar um lugar estratégico na construção do futuro das organizações.

A Liderança Estratégica não é um modelo único, mas uma competência em constante evolução. Em um cenário de mudanças permanentes, líderes que alinham pessoas, cultura e estratégia são os que impulsionam transformações consistentes e sustentáveis.


Sobre o autor

Paulo Stramaro
Professor | Palestrante | Especialista em Liderança Estratégica e Gestão de Pessoas
Atua no desenvolvimento de líderes e no apoio a organizações públicas e privadas em processos de transformação cultural, estratégia de pessoas e educação corporativa.


E se bater a meta for o problema?

📌 1981. Japão. Toyota. A organização enfrentava um dilema recorrente em qualquer empresa orientada a resultados: - Algumas equipes superava...